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O que é e como se transmite? Os hantavírus são um grupo de vírus existentes na Europa, Ásia e América que têm como principal reservatório os roedores. Transmitem-se maioritariamente através da inalação de pequenas partículas provenientes de urina, fezes ou saliva de roedores contaminados. Isto pode acontecer, por exemplo, ao limpar espaços contaminados com excrementos de roedores (arrecadações, celeiros, locais de campismo ou alojamentos rurais).A transmissão de pessoa-a-pessoa não é frequente e só está descrita numa espécie de hantavírus chamada vírus Andes. Ao contrário dos vírus respiratórios como a gripe ou a COVID-19, que se transmitem com facilidade, é necessário contacto próximo e prolongado com uma pessoa infetada com o vírus Andes para que a doença se transmita. Quanto tempo até ao aparecimento de sintomas e como se manifesta? O tempo entre a exposição ao vírus e o início de sintomas varia entre 1 e 6 semanas, o que significa que podem iniciar já depois de ter voltado da sua viagem. Por isso, se desenvolver quadro gripal (febre, dores musculares, cansaço, tosse) após uma viagem, é importante informar o seu médico sobre locais visitados, atividades realizadas, tipo de alojamento e contacto com animais.Os sintomas iniciais são semelhantes aos de muitas infeções víricas: febre, dores musculares, cansaço, dores de cabeça, náuseas, vómitos, dor abdominal ou diarreia. Os casos mais graves podem evoluir para atingimento pulmonar (Síndrome Pulmonar por Hantavírus) ou renal (Febre Hemorrágica com Síndrome Renal) com necessidade de internamento. Porque é que este surto chamou tanta atenção? Por envolver um cruzeiro internacional, com passageiros de vários países, que causou casos graves, alguns deles fatais. Apesar de, neste caso, a transmissão pessoa-a-pessoa ser rara, este surto recordou-nos que, na época da globalização, as infeções não respeitam fronteiras. Como prevenir? – Evitar contacto com roedores e espaços contaminados com urina, fezes ou saliva de roedores;– Não limpar, varrer ou aspirar locais potencialmente contaminados;– Guardar alimentos em recipientes fechados;– Escolher alojamentos com boas condições de higiene e ventilação.Estas recomendações são particularmente relevantes em viagens de aventura, caminhada e campismo, com estadia em cabanas ou alojamentos isolados.Atualmente não há vacina para prevenção de infeção para Hantavírus. Como viajar em segurança? Existem muitas infeções associadas a viagens que são preveníveis através de vacinação, medicação preventiva ou aconselhamento individualizado. Nestas incluem-se, por exemplo, a Hepatite A, a Febre Tifóide, a Febre Amarela, a Malária, o Dengue, a Raiva, a Encefalite Japonesa, a diarreia do viajante, as infeções transmitidas por carraças, entre outras.É comum pensar que estas infeções só se associam a destinos “exóticos” mas o seu risco depende de vários fatores para além do destino. Depende da época em que se viaja, da duração da estadia, do alojamento, das atividades planeadas, do contacto com animais, da exposição a altitude, do acesso local aos cuidados de saúde, da idade do viajante, das suas doenças e medicação habitual.A consulta do viajante serve exatamente para avaliar este risco de forma individualizada. Nesta consulta é revisto o plano vacinal, são feitas recomendações dirigidas a cada viajante, é discutida medicação preventiva quando indicada, é organizado um estojo de medicação em viagem e explicados sinais de alarme que devem motivar observação médica.Idealmente, a consulta deve ser feita 4 a 6 semanas antes da viagem para possibilitar a administração de vacinas a tempo de produzir resposta imunitária protetora.Este aconselhamento é especialmente importante em viagens para destinos tropicais ou subtropicais, cruzeiros internacionais, safaris, caminhadas prolongadas, voluntariado, trabalho humanitário, viagens com crianças, idosos, grávidas, pessoas imunossuprimidas ou doentes crónicos. Mensagem final O surto de Hantavírus recordou-nos que as infeções associadas a viagens continuam a existir e que algumas podem ser graves. Mas isto não nos deve impedir de conhecer o mundo já que, na maioria das circunstâncias, viajar continua a ser seguro.O importante é conhecer os riscos, saber como reduzi-los e procurar aconselhamento adequado antes da partida.Na Clínica das Areias defendemos uma medicina de proximidade também na prevenção: informar, orientar e ajudar cada pessoa a viajar com mais segurança, de acordo com o seu destino, o seu estado de saúde e o tipo de viagem que vai realizar. Marcar Consulta
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